O jardim explora duas camadas de sonho sobrepostas, mas distintas: um domínio interior, onde habita o sonho, e um domínio exterior, onde este é observado à distância. Esta dualidade orienta a conceção espacial.
No centro, uma superfície de água atua como espelho entre a consciência e o subconsciente. Um passadiço de madeira conduz ao seu núcleo, convidando os visitantes a deitar-se sob um espelho suspenso. O movimento e a luz ondulam a água, fragmentando e multiplicando o reflexo de cada um, estabelecendo um diálogo entre o eu e a imagem onírica.
Em torno da água, um percurso de meditação esguio serpenteia lentamente pelo espaço. A sua estreiteza promove a atenção plena, enquanto grandes pedras pontuam o trajeto como pontos silenciosos de repouso. A vegetação segue uma paleta mediterrânica de jardim seco: gramíneas, perenes floridas, subarbustos e coberturas de solo entrelaçados com a pedra. A gravilha e as superfícies minerais claras iluminam o espaço, criando uma sensação de calor, suavidade e clareza.
Fragmentos de Sonhos torna-se assim uma tradução espacial da experiência do sonhar, convidando à participação e à observação simultâneas, um momento suspenso entre a realidade e o sonho.